domingo, 21 de fevereiro de 2016

1º AULÃO RDB E CURSO DE INSTRUMENTOS DE CAPOEIRA EM TAILÂNDIA-PA



Nos dias 15,16 e 17 de abril, o filial Raízes do Brasil em Tailândia no Pará realizará o 1º AULÃO E CURSO DE INSTRUMENTOS DE CAPOEIRA.
Além do AULÃO com professores da região, o curso de instrumentos de capoeira, visa o aprendizado e aprimoramento dos alunos na cidade de Tailândia.
Os instrumentos serão: Berimbau, Atabaque, Pandeiro, Agogô.

A organização é dos monitores TSUNAMI E TUBARÃO que residem na cidade.
Direção Mestre Ralil
Supervisão: Mestre Tucano
Coordenação: Mestre Corujito

Conheça um pouco mais sobre os instrumentos de capoeira.
BERIMBAU - Caindo na classificação das cítaras, o berimbau que conhecemos hoje em dia pode ser descrito por um arco de madeira flexível, onde suas pontas são ligadas por um arame, tendo como caixa de ressonância uma cabaça que é presa em uma das pontas da madeira.
ATABAQUE -  Os tambores são instrumentos muito antigos. Difundido na África, o tambor também aparece em registros persas e árabes. Inclusive o termo atabaque é de origem árabe. Mesmo com essa ligação africana, acredita-se que o instrumento já tinha sido trazido por mãos portuguesas quando chegaram os escravos africanos.
Uma vez aqui no Brasil, o atabaque foi incorporado à cultura afro-brasileira de uma forma tão intensa que grande parte das manifestações culturais e religiões afro-brasileiras, se não todas, apresentam o tambor como instrumento musical marcante. O samba, o jongo, o maculelê, o batuque, a umbanda e principalmente o candomblé são exemplos.
PANDEIRO - Muito difundido e utilizado por diversos povos, o pandeiro é considerado um instrumento muito antigo, encontrado na Índia e até junto aos egípcios (1700 a.C.), com função de instrumento marcador de ritmo e acompanhamento. Da cultura árabe surge o adufe, que é um pandeiro quadrado sem platinelas.
 A maior parte dos estudos aponta para chegada do pandeiro ao Brasil por via portuguesa. Inclusive existe registro que esse tambor já estaria presente na primeira procissão de Corpus Christi, realizada na Bahia, a 13 de junho de 1549.
AGOGÔ - Instrumento musical formado por dois cones metálicos unidos por um arco também de metal, o agogô é outro instrumento muito presente na cultura afro-brasileira. Sua entrada no Brasil aconteceu com a chegada dos negros africanos. Inclusive o vocábulo agogô é de origem nagô e significa sino. Assim como no caso do reco-reco, sua aparição inicial nas baterias de capoeira ocorreu, possivelmente, através dos mestres Pastinha e Canjiquinha.


AULÃO DOS GUERREIROS E CAMARADAS DE MACAPÁ


É isso aí amigos o AULÃO GUERREIROS E CAMARADAS irá acontecer dia 12 de MARÇO no conjunto Macapaba, o motivo é que esse ano em Macapá, exatamente no mês de julho o estado receberá pela segunda vez o fundador do Grupo Guerreiros dos Campões MESTRE COBRA PRETA que reside em Paris-FRA que virá a capital amapaense fazer a entrega da corda de Mestre a seu aluno Paulo César(Mestrando Fofão), assim como cordas de professores aos Instrutores Fumê e Búfalo que acompanham o Mestrando nos trabalhos no Conjunto Macapaba e no Bairro das Pedrinhas.
E para angariar fundos para a festa da Formatura de julho, os alunos estarão realizando um aulão com a presença confirmada dos seguintes capoeiristas da cidade:
> Mestre Kotinga
> Mestre Muzenza
> Mestando Fofão
> ContraMestre Onça
> Professor Sakuraba
> Professor Aricélio
> Professora Ilma
> Professor Rico

Serviço:
AULÃO GUERREIROS E CAMARADAS
Data: 12 de MARÇO
Local: Conjunto Macapaba
Investimento:
Crinaças até 15 anos: R$ 5,00 reais
Acima de 15 anos: R$ 10,00 reais

APOIO: UNICAP

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

RDB Amapá lança selo comemorativo em homenagem aos 35 anos do Raízes do Brasil

A filial RDB no Amapá, lança neste mês de dezembro, precisamente na 2ª edição dos Jogos Interminicipais de Capoeira Raízes do Brasil em Porto Grande o selo personalizado comemorativo alusivos aos 35 anos do Centro Cultural de Capoeira Raízes do Brasil, que foi fundado em 1980, por Mestre Ralil Salomão.
O lançamento irá ocorrer em meio à cerimônia de celebração do aniversário de nove anos da entidade no estado do Amapá. A tiragem do selo em camisas é de 70 unidades, que serão distribuídas aos participantes do jogos, representantes do grupo em Macapá e Porto Grande e personalidades da capoeira no Amapá, dentre eles Mestre Grilo(pioneiro no estado) e a Presidente Maria Pantoja da Unicap (União dos Capoeiristas do Amapá).

ORGANIZAÇÃO:
Monitores: Margarida, Batatinha, SuperPreto, Espeto.
Instrutor Márcio Porto
COORDENAÇÃO:
Instrutor Passarinho
SUPERVISÃO:
Mestre Tucano - PI
DIREÇÃO GERAL:
Mestre Ralil-DF



Sobre a Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil.

Fundado em 1981, o Centro Cultural Da Capoeira Raízes Do Brasil é uma associação que realiza não apenas aulas sobre a cultura da atividade, mas também oferece e hospeda eventos culturais e sociais. A sede em Brasília tem o objetivo de fortalecer a imagem da cultura da capoeira e promover a integração entre as nações que apreciam a atividade.

O espetáculo realizado pela associação já rodou diversos estados brasileiros e possui capoeiristas do Brasil e do mundo. Há praticantes também nos Estados Unidos, Venezuela, Suíça e Espanha, por exemplo. O grupo apresenta manifestações culturais como o jongo de caxambu, Marabaixo, a puxada de rede, o maculelê, o maracatu, a origem dos quilombos e o xaxado.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

VI BATIZADO RAÍZES DO BRASIL AP, CONTARÁ COM PRESENÇA DO PARÁ, PIAUÍ E DISTRITO FEDERAL


Caros amigos do Blog, está chegando a hora de mais um grande evento Raízes do Brasil no Amapá, é o VI BATIZADO e TROCA DE CORDAS, que será realizado nos dias 01,02 e 03 de outubro na cidade de Macapá-Amapá.

Neste ano o evento contará com a presença dos Mestres Touro(Piauí), Banjo (Distrito Federal) e Caiçara (Pará), que virão pela primeira vez em eventos do Raízes do Brasil no Amapá. a programação será composta da seguinte maneira:

Quinta-feira (01/10) - 19:00
Local: Casa da Capoeira Raízes do Brasil (Pacoval)
- Oficina de Marabaixo com Asso. Berço do Marabaixo
- Oficina de Maculelê com Mestre Touro -PI
- Roda de Capoeira

Sexta-feira (02/10) - 19:00
Local: A definir
- Oficina de Capoeira com Mestre Touro -PI
- Roda de Capoeira

Sábado (03/10) - 16:00
Local: A definir
- Show Cultural
            * Maculelê
            * Puxada de Rede
            * Marabaixo 
            * Batizado e Troca de Cordas.

Encerramento: 20h00


Mais afinal o que é um batizado de capoeira?

O batizado é um dia de festa em que os novos capoeiristas participam pela primeira vez do jogo na roda de capoeira. Esse primeiro jogo é realizado com um professor, contra- mestre ou mestre que ficará sendo o seu padrinho. O aluno batizado (afilhado) deve levar consigo eternamente a lembrança da festa e ter uma eterna admiração pelo seu padrinho. 
Foi Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba) quem introduziu o batizado na capoeira. Fundador da primeira academia de capoeira (o centro de cultura física regional) o ilustre mestre, em fins da década de 20 e início da década de 30,’ ao criar a capoeira regional, dotou a mesma de uma metodologia de ensino, O aluno iniciante aprendia as seqüências (compostas de movimentos de ataque e defesa próprias da capoeira) e era marcada a data do seu batizado na capoeira. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

O que é necessário para ser Mestre de Capoeira?

O QUE É NECESSÁRIO PARA SER MESTRE DE CAPOEIRA? Essa é uma pergunta DIFÍCIL de responder. Afinal, a capoeira é uma ARTE PLURAL, multifacetada, que se expressa por diversos meios e sentidos.
E pesquisando alguns textos para esta reflexão encontrei o do Mestre Luiz Renato (Grupo Berimbazu-DF) que nos faz pensar sobre a responsabilidade e a maestria na vida de um Mestre de Capoeira.
Espero que gostem do texto, Boa leitura!!

Assim, para ser um mestre de capoeira são exigidos conhecimentos e habilidades em diversas áreas da atuação e do conhecimento humano, como o jogo-luta da capoeiragem, a música, algum conhecimento histórico, saberes sobre as tradições e muito mais. A resposta envolve muitos temas, e precisa de alguma reflexão.
Entretanto, não há dúvida de que há um fio condutor. E, com a nossa vivência na capoeira, podemos perceber que, assim como a capoeira é rica em múltiplas expressões, nem todos dominam todas essas formas de igual maneira. Mas há, sim, algo que nos permite identificar um Mestre: a experiência, a segurança ao orientar um aluno, e a consistência de suas afirmações e atitudes.

Ninguém está mais longe de ser um mestre do que aquele que cultiva a arrogância. Por algum tempo, nós mestres na faixa dos cinquenta anos de idade (nós que iniciamos a prática da capoeira na década de setenta do século passado), chegamos a associar a condição de mestre ao conhecimento formal, e até mesmo acadêmico.
Então, para ser mestre, pensávamos que era necessário conhecer as técnicas de ensino da luta, os fundamentos das várias ciências envolvidas no estudo da capoeiragem. Engano monumental esse, de associar a mestria apenas ao formato do conhecimento que é usualmente mais reconhecido pelas instituições.

Os anos vão passando, e vamos, cada vez mais, reconhecendo a importância dos saberes tradicionais, e da atitude de humildade e respeito que devemos preservar diante dos inúmeros desafios que a vida nos impõe. O mundo da capoeira, e a própria roda, está repleto dessas situações, onde o que se destaca é a atitude firme e segura, e não o mero desfiar de um conhecimento que, naquele momento, pode ser apenas a expressão da vaidade humana, ou de algum sentimento ainda menor.

Um verdadeiro mestre de capoeira se faz na vivência real, ao longo dos anos, nas ricas e inúmeras situações em que a nossa capoeira nos coloca na vida cotidiana. Seja na rua, nos espaços institucionais de ensino ou nas academias.

terça-feira, 30 de junho de 2015

FORMATURA DO PROFESSOR TINGAÚNA EMOCIONA CAPOEIRISTAS EM JOSÉ DE FREITAS-PI.

No ultimo fim de semana dia 28 de junho, aconteceu no Teatro Municipal de José de Freitas - Piauí, o VIII Batizado e Troca de Cordas “Encontro de Amigos”, realizado pelo Centro Cultural de Capoeira Raízes do Brasil, com a organização do Instrutor Tingaúna, Supervisão de Mestre Tucano-PI e Direção Geral de Mestre Ralil-DF. 
O evento contou com a participação de aproximadamente 200 pessoas, participaram também vários capoeiristas, como alunos, instrutores, contra mestres e mestres, das cidades de Teresina, José de Freitas, entre outras.
A supervisão ficou com o mestre Tucano-PI, vindo especialmente de Teresina para o evento. O ponto alto do evento foi a formatura surpresa de Professor ao nosso querido amigo TINGAÚNA, que recebeu das mãos do próprio mestre Tucano a Corda ROXA de professor. Foi um momento emocionante para todos que presenciaram, o reconhecimento de seu trabalho com a capoeira no estado do Piauí.
O evento contou também com a presença de Mestre Touro que ministrou um aulão e que também iniciou o jogo com uma ladainha que arrepiou todos os presentes naquele momento.
E nós aqui do Amapá também estamos muito orgulhosos pela conquista mais que merecida desta nova graduação e temos certeza que outros desafios virão e com certeza nosso amigo e PROFESSOR TINGAÚNA irá estar preparado para esta nova fase!

Parabéns Tingaúna!!





quarta-feira, 10 de junho de 2015

REGULAMENTAR A CAPOEIRA OU PROFISSIONALIZAR O CAPOEIRISTA??

Caros amigos leitores do nosso blog.
Após alguns meses sem atualizar por conta de falta de tempo  mesmo, pois assuntos e eventos não faltaram nos últimos quatro meses aqui no Norte como em todo o páis, resolvi expor alguns textos sobre esse tema que tem tomado conta dos bastidores da CAPOEIRA. 
Dentre várias opniões e textos, encontrei um muito bem elaborado, de fácil compreensão do camarada Boiadeiro da Abadá Capoeira e por isso resolvi postar e compartilhar com vocês.
Espero que gostem, reflitam e compartilhem para que outros possam ter acesso a esse importante tema que se for aprovado irá por tudo a perder depois de séculos de resistência, lutas e ancestralidade.
EU SOU CONTRA A REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA... E VOCÊ??
Boa leitura!!

Instrutor Passarinho - Raízes do Brasil no Amapá



Tenho lido muitas opiniões sobre o tema regulamentação da capoeira como profissão e tenho ficado preocupado com as manipulações que estão acontecendo. Percebo que a falta de informação tem contribuído para um cenário onde pessoas defendem posições sem ter um fundamento lógico. Sou a favor da democracia, mas sou contra a manipulação, sou contra a falta de interesse em capacitar as pessoas para que elas sejam mais conscientes e possam questionar. Sendo assim, tentei escrever algo que pudesse gerar uma reflexão e contribuição para o esclarecimento do tema. Espero que seja útil. Obrigado pela atenção. Boiadeiro
Porque você começou a praticar capoeira? Se essa pergunta for feita para qualquer capoeirista, rapidamente ficará claro como um processo de REGULAMENTAÇÃO será nocivo ao futuro da capoeira, ele poderá limitar e eliminar diversas passagens que temos em nossas memórias, situações que são frutos da liberdade e diversidade que a capoeira possui em sua essência. Liberdade de se expressar, diversidade de estilos, enfim, uma riqueza infinita que confunde nossa sociedade fazendo com que ela pense que a padronização é o caminho para organização. Organizar o que? As pessoas ou a arte? As pessoas devem se profissionalizar e a arte tem que ser arte em sua essência, manifestando das formas mais improváveis para inspirar, atrair novos seguidores e admiradores.
Foi essa liberdade que me manteve na capoeira, eu sou produto dela, já treinei na rua, clubes, academias, garagem de prédios, garagem da minha casa, praças, ou seja, em todo canto.
As vezes sou abordado com a seguinte pergunta: O que é a capoeira? Na mesma hora me vem na cabeça um dos ensinamentos do Mestre Camisa. Capoeira é o que o momento determinar. Pode ser um jogo, uma luta, uma música, um artesanato, uma profissão, um show, um remédio, uma poesia, depende do momento. Mas pra nós capoeiristas ela sempre será a capoeira. Então, pra você o que é a capoeira? Não tenha dúvida, capoeira é capoeira, o momento em que determina sua compreensão.
Estou fazendo essa pequena introdução para mostrar o quão é importante essa liberdade da capoeira, uma arte adaptável, inclusiva e genuinamente brasileira. Sempre fazendo curvas para sobreviver sem perder a tradição e suas origens, tendo a oralidade como principal caminho do seu entendimento pleno. Acredito que seu desenvolvimento deve ser eterno, sempre respeitando o seu passado e suas origens.
A sociedade atualmente está discutindo sobre A REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA COMO PROFISSÃO, uma situação que vem gerando dois cenários. De um lado pessoas que entendem que é necessário esse processo e do outro lado, pessoas que entendem que esse caminho será prejudicial a capoeira.
Venho acompanhando diversas opiniões sobre o tema e percebo que existe um tremendo equívoco na maioria das pessoas que se posicionam a favor, pois a REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA COMO PROFISSÃO é muito diferente da PROFISSIONALIZAÇÃO DO CAPOEIRISTA. Reparem no significado de Profissionalização que é um ação ou efeito de profissionalizar ou profissionalizar-se. Processo de treinamento para obter certo nível profissional ou para alcançar maior habilidade num determinado trabalho; capacitação. Agora compare o significado de Regulamentação que é uma ação ou efeito de regulamentar, imposição de regras, regulamentos, conjunto de normas. Ato de fixar por meio de regulamento. Conjunto de medidas legais ou regulamentares que regem um assunto.
Perceberam a diferença?
É nesse ponto, que a meu ver, está acontecendo uma grande confusão. Muita gente que é a favor está entendendo que os benefícios que desejam, só serão conquistados por meio deste processo de REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA ENQUANTO PROFISSÃO.
Essa confusão de entendimento é muito grave.
Se você é a favor da REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA ENQUANTO PROFISSÃO e defende essa posição porque tem consciência das consequências e resultados que serão gerados, eu respeito e entendo já que é uma questão individual e vivemos em uma democracia.
Agora, defender a REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA ENQUANTO PROFISSÃO porque você acha que terá mais reconhecimento, benefícios trabalhistas, organização e outros. Lamento, mas estão escondendo de você as verdadeiras intenções. Já existem diversos dispositivos legais que contemplam muitos dos anseios de quem acha que só vai alcança-los se a capoeira for REGULAMENTADA ENQUANTO PROFISSÃO, as pessoas precisam se informar melhor. Qualquer pessoa pode pagar o INSS para se aposentar, qualquer pessoa pode se inscrever no programa de Micro Empreendedor Individual e emitir nota fiscal como professor ou como artesão, qualquer pessoa pode elaborar um projeto nas leis de incentivo, qualquer pessoa pode organizar um evento de capoeira, basta investir na capacitação e no profissionalismo.
Para o fomento de ações temos as leis de incentivo à cultura e ao esporte nas esferas federal, estaduais e municipais. Sobre a educação temos a lei 11.645/08 que traz em seu artigo 26-A a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena em todos os estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio público e privado. No tema profissão temos o Art.170 da nossa CONSTITUIÇÃO FEDERAL que diz em seu parágrafo único que é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.
Para o reconhecimento temos o Estatuto da Igualdade Racial - Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010 que em seu Art. 20 diz que O poder público garantirá o registro e a proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira, nos termos do art. 216 da Constituição Federal. E no Parágrafo único deste mesmo artigo diz que O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais. Ainda tem o Art. 22 que diz A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional, nos termos do art. 217 da Constituição Federal. § 1o A atividade de capoeirista será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional. § 2o É facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos capoeiristas e mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos.
E mais, em 2008 a roda de capoeira e o ofício de mestre foram inscritos no Registro dos Saberes pelo Iphan. Depois a roda de capoeira, que é onde se reúne tudo que engloba a capoeira, foi reconhecida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A escolha foi feita durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, em 26 de novembro de 2014.
Nenhum esporte olímpico tem esse reconhecimento, nenhuma luta tem esse reconhecimento, nenhuma religião tem esse reconhecimento, nenhum time de futebol tem esse reconhecimento, nenhuma banda famosa tem esse reconhecimento e a nossa capoeira conquistou isso graças a sua diversidade e liberdade!
Precisamos ser profissionais de fato. No meu entender, a profissionalização está totalmente relacionada a pessoa que exerce a profissão. É uma ação que depende somente do individual. Será que todos os capoeiristas ao longo dos anos preocuparam com sua formação? Será que todos preocuparam em se instruir? Todos preocuparam com a forma de se comportar perante a sociedade?
Bom, se analisarmos dentro do tri pé, valorização, reconhecimento e profissionalização de qualquer profissão e/ou atividade, em uma rápida pesquisa chegaremos à conclusão que houve um marco na história onde esses objetivos começaram a ser alcançados, um ponto de partida, uma movimentação totalmente ligada ao agente que a representa, pois foram suas atitudes, dedicação, doação e profissionalismo que produziram esse resultado.
Se repararmos em outras áreas, conseguiremos ver que em algum momento da história, um agente ou um conjunto de pessoas, foram a mola propulsora para que uma profissão ou arte alcançasse novos ares e viesse a ter seu pleno desenvolvimento e reconhecimento. Pense nos grandes historiadores que deram o devido valor a sua profissão, pense nos grandes pintores, nos grandes jogadores de futebol, nos grandes médicos, nos grandes advogados, eles deram valor a sua profissão. O mérito individual de cada um, dignificou o ofício por eles representado.
No caso da capoeira é fácil identificar os grandes capoeiristas que contribuíram mundialmente e contribuem para que esse processo de evolução cultural esteja sempre em movimento. E você o que está fazendo pela capoeira?
Entendo que sempre podemos fazer algo diferente para valorizar nossas ações. Se o vendedor de picolé começar a melhorar o seu serviço, com certeza ele vai vender mais e será mais valorizado. Basta ele começar a imprimir mais qualidade, mais seriedade, mais comprometimento, estar atento ao que está acontecendo ao seu redor e no mundo, melhorar seus equipamentos, melhorar o atendimento, ser mais comprometido, melhorar a matéria prima usada para fazer seu picolé, enfim, ficar atento aos detalhes e entre linhas para fazer a diferença.
Será que os capoeiristas que estão defendendo a regulamentação da profissão, achando que isso trará mais resultados e benefícios, estão atentos aos detalhes e as entre linhas para fazerem a diferença?
Quem precisa de reconhecimento é o capoeirista ou a capoeira? O capoeirista está investindo nele para ter esse reconhecimento?
Eu aprendi que a profissão do capoeirista é ser um poli artista, estar preparado para agir e atuar de acordo com que o momento determinar. Como diz meu Mestre, “Nem tudo que é bom para o capoeirista é bom pra capoeira, mas tudo que é bom pra capoeira é bom para todos os capoeiristas.”
Sendo assim, eu não sou a favor da regulamentação pois entendo que esse processo não vai fazer a capoeira ter reconhecimento. Esse processo vai engessar a capoeira e vai criar uma desigualdade política e cultural a nossa arte, prejudicando o grande público que vive da capoeira e precisa dela. É muito claro os desdobramentos gerados por uma regulamentação de profissão. Podemos citar a criação de sindicatos de classe, reserva de mercado, perseguição política, limitação da criatividade e liberdade, direcionamento, manipulações, enfim, todas as conquistas que a capoeira conseguiu ao longo dos anos serão prejudicadas.
Hoje estamos em um novo momento, um momento de encontro de aproximação dos diversos estilos, um momento de estudo e troca de saberes. Sou a favor de muitos congressos, fóruns, simpósios, seminários e outros mecanismos de encontro e discussão de ideias, mas penso que eles devem ser desenvolvidos pelos capoeiristas. Agradeço aos admiradores da capoeira, mas se querem nos ajudar que tragam o caminho das pedras, mas deixem que os capoeiristas andem por eles.
Obrigado e pode ter certeza que estaremos cada vez mais unidos para que as nossas diferenças continuem sempre crescendo em harmonia, com liberdade de escolha e comprometidos com a construção desse painel cultural que se chama capoeira.
Leonardo Dib
Boiadeiro – ABADÁ-CAPOEIRA